A greve dos bancários caminha é uma das mais extensas da história do sistema financeiro. Os bancos estão mais duros na negociação, os lucros tendem a encolher pela primeira vez em décadas, tudo isso é reflexo da crise que elevou os calotes e exigiu aumentos nas provisões.

O executivo de um grande banco, que não quer ser identifico, confirma que a tecnologia alivia cada vez mais o impacto da greve.

Todo o impacto da paralisação nos resultados, porém, é cada vez menor, devido a digitalização das transações, através de computadores e celulares.

A Federação Brasileira de Bancos destacou, em nota, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que o uso de canais alternativos às agências bancárias para fazer operações, especialmente os meios eletrônicos, têm sido eficazes para minimizar os efeitos da greve.

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No ano passado, as transações bancárias pelo mobile banking cresceram 138% ante 2014, totalizando 11,2 bilhões de operações, segundo a Febraban.

Conseguiu, com isso, ser o segundo canal mais usado, atrás apenas do internet banking. Em algumas instituições, conforme fontes, o mobile já galgou a liderança nos meios utilizados para transações bancárias.

Essa greve gerou menos impacto por conta da utilização de canais digitais, que está muito forte. Depósito em cheque basicamente acabou. Todo mundo hoje tem um smartphone e a utilização dos canais digitais tem crescido geometricamente em todos os bancos.”

Após cinco rodadas de negociações e sem consenso entre bancários e banqueiros, a paralisação completou 18 dias ontem. Na próxima segunda-feira, passará a ter a mesma duração da mobilização no ano passado, de 21 dias.

Pode se tonar a mais longa dos últimos anos, superando a de 2013, quando os trabalhadores do sistema cruzaram os braços por 24 dias, segundo contabilizou o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

O sindicato estima a participação de 60 mil trabalhadores. No total, 16 centros administrativos e 780 agências foram fechadas ontem. Apesar do eventual recorde, os bancos, conforme fontes, tendem a não oferecer um reajuste maior do que o concedido em 2015.

No ano passado, a categoria reivindicou 16%, mas o reajuste ficou em 10%, com correção de 14% no vale-refeição e alimentação.

Os bancos têm sido rigorosas no controle de gastos. O Bradesco revisou para baixo a sua projeção de despesas operacionais – de 4,5% a 8,5% passou para o intervalo de 4% a 8%.

Neste ano, a diferença está ainda maior. Os bancos oferecem um valor de 7% (o que leva a 2,39% de perda salarial) e um abono de R$ 3,3 mil. Os bancários pedem o dobro, aumento de 14,78% (ganho real de 5%, considerando a inflação).

A contraproposta, porém, foi rejeitada e nas duas últimas reuniões realizadas, nos dias 13 e 15 de setembro, não houve mudanças.

Ou seja, de maneira bem clara, bancos estão mais duros este ano e a diferença entre os pedidos é alta. O sindicato vai ter de ceder, mas a categoria vai testar ao máximo.

O Itaú Unibanco também refez seus cálculos. As despesas não decorrentes de juros da instituição devem crescer de 2,0% a 5,0% em 2016.

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